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Veja a opinião das especialistas Daniela Trejos Vargas, Pró-Reitora de Graduação da PUC-Rio, e Marta Avancini, Membro da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) e Editora do Portal Virando Bixo, sobre quais foram os aprendizados das instituições de ensino privadas com a implementação das aulas remotas no Brasil e as perspectivas para o futuro pós-pandemia

Após três meses de afastamento, medida provisória imposta para a contenção do COVID-19, muitas instituições de ensino superior privado puderam, após o susto inicial, adaptar os seus cursos, aulas e métodos de trabalho, com o auxílio dos recursos de tecnologia; aprendizado que, mesmo após o fim da pandemia, continuará a surtir efeitos no setor educacional.

Afinal, com a flexibilização do isolamento e as novas possíveis datas de retorno para o setor da educação no Brasil, segundo as estimativas do governo, será necessário que os gestores das instituições planejem-se financeira e academicamente para as próximas etapas, bem como para o retorno ao novo normal.

A seguir, veja o que especialistas do mercado dizem sobre os principais aprendizados com as aulas remotas e o que virá pela frente no futuro pós-pandemia.

Os principais aprendizados com as aulas remotas neste período

Segundo a Pró-Reitora de Graduação da PUC-Rio, Daniela Trejos, as aulas remotas tem sido um desafio constante durante o primeiro semestre de aulas da PUC-Rio. Pegos de surpresa numa sexta-feira 13 de março, último dia em que a universidade pôde contar com aulas presenciais, haviam neste período cerca de 2500 estudantes ingressantes e apenas duas semanas de aulas. Além do mais, a universidade não era adepta ao ensino remoto e precisou lidar com um cenário completamente novo. Em duas semanas passaram de 168 turmas para 3000 turmas no ambiente virtual de aprendizagem, que antes era usado apenas como um apoio complementar aos cursos presenciais. Portanto, ela considera que o aprendizado acabou sendo para todos: estudantes, professores e coordenadores.

Daniela comenta que os principais focos da PUC-Rio durante o período de adaptação de aulas remotas foi, justamente, a capacitação dos professores, bem como os encontros virtuais ao longo da semana, com a implementação, inclusive, de rodas de conversa semanais entre alunos e professores, com o intuito de oferecer perspectivas positivas.

Dentre as preocupações da universidade neste período, Daniela Trejos cita a exclusão digital e a dificuldade que alguns estudantes tem para acompanhar as aulas remotas. Como solução parcial, ela diz que foram feitas algumas substituições que permitissem a contínua qualidade para os estudantes, de softwares e recursos que pudessem ser utilizados nos computadores dos alunos.

O nosso desafio, quanto sociedade, para garantir a entrada e formatura dos estudantes no ensino superior

Marta Avancini, Membro da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) e Editora do Portal Virando Bixo, acredita que o momento é de deixar de lado os planos educativos que existiam antes da crise, para remodelar as novas perspectivas de futuro em nosso país. Afinal, comenta, mesmo que exista uma previsão de retorno dos alunos da educação básica para o mês de setembro, não há garantias de que isto de fato vá acontecer, e será preciso começar a pensar sobre como e quais recursos podem contribuir para a continuidade da experiência da educação para entender a real importância da escola e da universidade para o futuro da nossa sociedade.

Já Daniela Trejos, Pró-Reitora da PUC-Rio, pensa que é o momento de sairmos da caixa fechada do bacharelado de quatro anos para valorizar e enxergar como possibilidade os cursos rápidos de graduação para a educação continuada. Segundo ela, a crise favoreceu a reflexão sobre a importância de desenvolvimento das soft skills e de favorecer a criação de soluções e da formação efetiva de um cidadão integral.

O ensino híbrido como solução para o futuro

Daniela Trejos comenta ainda que, embora tenham sido grandes os aprendizados com as aulas remotas, estudantes e professores da PUC-Rio tem demonstrado e falado sobre a falta que sentem da interação presencial. Segundo eles, ainda que existam aplicativos como o Zoom, que facilitam a interação via chamada de vídeo, o modelo ideal seria uma complementação entre o digital e o físico e que a crise permitiu, inclusive, que eles pudessem enxergar que é necessário sair do modelo tradicional de ensino para buscar novos métodos de aprendizagem.

Para mais dicas, acesse o conteúdo abaixo:

 

A tecnologia como aliada

Desde que foi decretada a pandemia mundial do novo coronavírus, todos precisaram se adaptar e buscar novos meios de realizar atividades que outrora costumavam ser simples. Tendo sido o setor da educação, um dos que mais sofreram os impactos negativos ocasionados pelas medidas de contenção do COVID-19.

As estratégias de ensino e aprendizagem precisam ser revistas e os aprendizados com as aulas remotas refletidos no futuro do setor da educação. Afinal, mesmo que muitos estejam abordando o novo normal, este período que estamos vivendo trata-se muito mais de uma complementação do tradicional com a tecnologia, do que de um processo completamente inovador.

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Bruna Silva
por Bruna Silva
Jornalista da Quero Educação.