5
(3)

Veja como cuidar da saúde emocional dos seus colaboradores e estudantes durante a crise ocasionada pelo novo coronavírus sob a ótica de especialistas e gestores de grandes instituições de ensino

Diante da falta de previsibilidade de futuro e as consequências negativas ocasionadas pela pandemia mundial do novo coronavírus, muitos brasileiros tem sofrido com distúrbios e problemas emocionais. No âmbito educacional, isto é ainda mais frequente e as instituições de ensino superior devem estar atentas para oferecer o suporte e acompanhamento necessários aos seus estudantes e colaboradores.

Segundo dados divulgados recentemente pela OMS (Organização Mundial de Saúde), em decorrência da crise, 72% dos brasileiros apresentam sequelas resultantes do estresse crônico e até o final do ano de 2020, a depressão deve passar a ser a segunda entre as principais causas de incapacidade para o trabalho no mundo. Em tese, a doença de origem emocional, que outrora afetava grande parte dos jovens, ganhou proporções maiores com a chegada da pandemia.

Mas afinal, como a sua instituição de ensino pode contribuir para cuidar da saúde emocional dos seus colaboradores e estudantes durante a crise? Continue a leitura e veja, sob a ótica de especialistas do mercado, como implantar práticas de suporte e auxílio emocional na sua universidade.

A importância da saúde emocional

Em tempos de crise, como a que estamos vivendo, tendemos a experimentar as emoções em intensidades extremas. Tudo se intensifica: os medos, as inseguranças, as incertezas, mas também a euforia. Quando não conseguimos regular de forma saudável nossas emoções, isso pode gerar muito sofrimento para nós mesmos, mas também para quem nos cerca. Podemos brigar mais, comprar mais, comer mais, dormir menos ou mais, enfim, nossas emoções têm influência direta na nossa rotina, na nossa percepção de nós mesmos e do mundo.

Juliana Hampshire, psicóloga e consultora pedagógica do Laboratório Inteligência de Vida, ainda cita a importância da manutenção da saúde emocional dos colaboradores:

“Entendemos que a Inteligência Emocional é uma das ferramentas mais importantes para termos êxito tanto na vida pessoal quanto na vida profissional. O olhar empático para quem trabalha conosco é importante não apenas pelo cuidado com o outro, mas também para estabelecermos relações de trabalho mais harmoniosas e produtivas. Todos nós rendemos mais num dia quando nos sentimos vistos, cuidados e respeitados. Momentos como os que estamos vivendo desorganizam tudo e, como não temos respostas, o medo é muito presente. Como trabalhar bem, ser produtivo se nossas emoções estão desorganizadas? Assegurar um ambiente de trabalho saudável emocionalmente é garantir qualidade de entrega de cada colaborador.”

Segundo a Dra. Cristiane Rocha de Farias, Diretora da Universidade São Judas da Mooca, a pandemia proporcionou novas preocupações e reflexões:

“Naturalmente refletimos sobre o quanto o dia a dia é agitado e que poderíamos ter um pouco mais de tempo para nos dedicarmos aos estudos, à família e ao trabalho. Com a pandemia, nossas preocupações mudaram, passamos a viver momentos atípicos e desafiadores, e com ele desenvolvemos novas habilidades para gerenciar as nossas horas e nos adaptamos a uma nova forma de convívio social, com o apoio das ferramentas tecnológicas. Com tantas mudanças, sentimentos de angústia, ansiedade, medo, solidão e tristeza estiveram presentes na população, incluindo, também, os nossos estudantes. Desta forma, a Universidade São Judas, atenta à saúde mental de todos, promove, em um ambiente virtual amistoso e descontraído, práticas diárias para promover o bem-estar e o conforto emocional, como: aulas diárias de Yoga e Meditação, Atividades para Corpo e Mente, Aikido, Webinars sobre Espiritualidade, além do acolhimento psicológico e psicopedagógico realizado pelas nossas equipes profissionais e com o apoio dos próprios alunos do curso de psicologia.”

A saúde emocional é caracterizada de maneira simples pela capacidade, que cada ser humano tem, de controlar seus sentimentos e emoções o que, em tempos de crise, tem indicado índices negativos e consequências, como a perda de produtividade e o esgotamento físico e mental perante a realização das atividades de rotina. Olhar para isso, muito mais do que apenas sinônimo de boa conduta para a sua instituição de ensino, representa bons resultados para todos.

A saúde emocional dos seus colaboradores em tempos de crise

O psicólogo, psicanalista, especialista em saúde pública e docente do curso de psicologia da Faculdade Arnaldo, Renato Ávila, acredita que a pandemia produziu se não uma radical mudança na rotina de todos, o que afetou de, modo direto e significativo, as formas de relacionamento e de enxergar e experimentar o mundo:

“A pandemia introduziu um intervalo entre nós e o outro, nossos sonhos, nossos desejos, elementos fundamentais que nos auxiliam a pensar quem somos. Esse hiato que se abre provoca em nós o medo, angústias, incertezas e, sobretudo, um sentimento de desamparo. Por isso é importante que as instituições também possam acolher e construir com seus colaboradores formas atravessarem juntos esse momento. Não se constrói saúde mental sem reinvenções. Reinventar juntos pode ser a única solução que nos permita superar esse momento e realizarmos uma travessia mais segura ao encontro de um novo nós.”

Como forma de encontrar soluções para este grande desafio, muitas instituições de ensino superior tem buscado foco em práticas de incentivo e melhora de qualidade de vida. A Universidade São Judas, oferece aos colaboradores oportunidades de crescimento, desenvolvimento e apoio para o fortalecimento emocional, bem como atividades para cuidado com o corpo.

“Nesse momento de pandemia intensificamos essa agenda de Bem-Estar e Saúde Mental, com a ofertas semanais de aulas de Meditação, Yoga, Aikido, Webinars, atividades ergonômicas, apoio psicológico e acompanhamento individualizado para todos os colaboradores que apresentam sintomas do Covid-19. Além de manter uma agenda de capacitação, do acompanhamento da Gestão de Pessoas, dos follows periódicos das lideranças com as equipes. Todo este processo contribui para o equilibro do corpo e mente, fortalecendo o indivíduo para seguir com suas atividades e contribuindo para os aprendizados”, aponta Carolina Leite Barbosa, Diretora do Gestão de Pessoas da Universidade São Judas.

Assim, ressaltamos a importância em construir um relacionamento próximo aos integrantes do seu time, oferecer apoio e garantir que mesmo o ambiente de trabalho remoto seja saudável. Desta forma, a sua instituição de ensino exercerá influência sobre a saúde emocional dos colaboradores.

A saúde emocional dos seus estudantes

Diante da pandemia do COVID 19, a necessidade de permanecer em casa foi uma medida extrema, que modificou o cenário de toda a humanidade. Mesmo diante deste contexto, os pilares da saúde e do desenvolvimento dos estudantes precisam ser respeitados. Mas como família e escola podem oportunizar esses aspectos dentro de um contexto de vivência virtual?

Patrícia do Carmo Miranda, Orientadora Educacional do Colégio Nossa Senhora das Dores de Belo Horizonte, explica:

“Apesar de toda a complexidade, o essencial é primar sempre pela parceria entre família e instituição de ensino, buscando, por meio de um diálogo aberto e transparente, compreender as necessidades pedagógicas e socioemocionais de cada um dos estudantes. Para buscar atender a esses aspectos, o CNSD (Colégio Nossa Senhora das Dores) criou alguns projetos que vislumbram a escuta e o atendimento individualizado de nossos alunos e famílias. O serviço de Orientação Educacional acolhe essas demandas e realiza os encaminhamentos necessários. O canal BEM-ESTAR, criado desde o início das aulas remotas, é alimentado com artigos e textos escritos por profissionais da escola com temas pertinentes ao momento, como: saúde mental, rotinas de estudo, resiliência. A equipe de Pastoral realiza projetos que buscam trazer vivências e trocas de experiências de autocuidado, além de um serviço de escuta e aconselhamento individualizado feito por profissionais capacitados.”

Já Sara Pedrini Martins, VP Acadêmica da Laureate Brasil, acredita que conciliar a qualidade acadêmica nas aulas remotas com o cumprimento do calendário acadêmico exigiu de professores e estudantes um esforço psicológico adicional neste período de isolamento social:

“Ao manter os mesmos horários das aulas, em tempo real, conseguimos diminuir o impacto na rotina dos estudantes, que já tiveram interferências em sua rotina pessoal. Essa interação cotidiana dos estudantes com colegas e docentes também ajudou a estabelecer uma rede de apoio. Além disso, o Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAP), que já atuava presencialmente, promoveu ações virtuais de acolhimento aos estudantes que apresentaram maior nível de ansiedade ou outros problemas neste período. Com pesquisas internas, identificamos que estas questões poderiam estar afetando o aprendizado, e, por isso, promovemos capacitações específicas aos docentes para auxiliar os estudantes. Para o fim do semestre, onde as questões emocionais ficam mais evidentes, a Laureate Brasil promoveu uma web série com cinco episódios, compartilhando dicas para lidar com esses sentimentos e promover um bom rendimento acadêmico.”

Como cuidar da saúde emocional dos seus estudantes e colaboradores nos dias de hoje?

1 – Criar um ambiente de trabalho e estudo seguro e baseado na transparência é o primeiro passo para aliviar a carga de trabalho no dia a dia de ambos. Procure manter uma comunicação constante e eficaz por meio de e-mails, portais ou até mesmo pelas redes sociais e esteja sempre apto a receber críticas e sugestões que possam ocasionar em melhorias no ambiente;

2 – Em tempos de crise, antes de mais nada, é importante ser flexível, o que significa que investir em cargas horárias mais leves e em que tanto colaboradores quanto alunos possam desempenhar suas tarefas diárias, mantendo a qualidade de vida, é essencial para garantir o controle dos picos de estresse;

3 – Ofereça acompanhamento médico e psicológico constante para os profissionais da equipe, de modo a atentar-se à avaliações que possam ofereçam riscos maiores para ele. O mesmo serve para o universo dos estudantes. É importante disponibilizar, mesmo que de modo remoto, atendimentos psicológicos gratuitos para garantir o acompanhamento destes;

4 – Incentive melhorias na qualidade de vida do profissional, por meio do estímulo à atividade física e convívio familiar e social;

Optar por oferecer suporte psicológico aos seus colaboradores e estudantes, deve ser uma das prioridades, mesmo em meio ao período de possível retomada à normalidade:

“Para a Laureate Brasil, o cuidado com a saúde emocional de nossa comunidade é uma realidade diária. Logo no começo, além de seguir as determinações governamentais, as orientações dos órgãos competentes de saúde e as recomendações da OMS, adotamos uma série de medidas institucionais com objetivo de garantir a segurança de todos, mas também buscamos formas de promover o bem-estar emocional por meio de projetos relevantes. Cito o AcolhidaMente, em que professores, voluntários, do curso de psicologia das instituições da rede apoiam nossos colaboradores e seus familiares de forma remota. Também temos o projeto QuarenTREINO, para estimular a prática regular de atividades físicas. Outro exemplo, são os treinamentos disponíveis na nossa universidade corporativa Laureate Play, liberado para todos, envolvendo temas de mindfulness, como lidar com a ansiedade, foco em momentos de pressão, entre outros. Ainda como forma de buscar a estabilidade necessária durante todo o processo, mantivemos a transparência e a frequência de informação em nossos canais de comunicação, adotando uma gestão inclusiva e ainda mais próxima.” apontou a Diretoria de Desenvolvimento Organizacional da Laureate Brasil, Cristiana M. Gomes.

Saúde emocional: um ponto de atenção para as instituições de ensino

Desde que foi decretada a pandemia mundial do novo coronavírus, todos precisaram se adaptar e buscar novos meios de realizar atividades que outrora costumavam ser simples. Tendo sido o setor da educação, um dos que mais sofreram os impactos negativos ocasionados pelas medidas de contenção do COVID-19.

saúde emocional dos colaboradores e estudantes, relacionada diretamente à qualidade de vida, ao bem estar e ao equilíbrio da pessoa consigo mesma e com o mundo, deve ser um ponto de atenção e questão a ser trabalhada pelas instituições de ensino neste momento de crise.

“Nós sempre tivemos muito claro o objetivo de que garantir o bem-estar e a segurança das pessoas era uma prioridade emergencial, desde o início da pandemia mundial. O cuidado com a saúde precisava englobar todos os aspectos, corpo e mente. Para promover a prevenção e a conscientização, desenvolvemos projetos multidisciplinares, que buscam amparar, mesmo que de longe, toda a nossa comunidade acadêmica, administrativa e do entorno. Estamos vivendo uma época de isolamento social, condição difícil para a nossa constituição intelectual que requer troca de informações e contato humano constante. Priorizamos o coletivo, mas também trabalhamos para entender como cada indivíduo funciona a fim de buscar alternativas para garantir a inclusão de todos, seja por meio de interação direta ou em grupos, para que tenham o sentimento de amparo e que façam parte do processo. O objetivo é que todos em tempos de crise possam encontrar o equilíbrio necessário para saírem ainda mais fortalecidos dessa fase.” concluiu a professora Simone Sato, Diretora Nacional de Ciências da Saúde da Laureate Brasil.

Gostou deste conteúdo? Acompanhe nossa série de webinars informativas sobre a crise do Covid-19 e a educação. Especialistas convidados estão trazendo poderosos insights, estudos e atualizações para o setor para enfrentar este momento. Compartilhe os vídeos com seu time clicando aqui e use a informação como arma para combater a crise.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 3

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Bruna Silva
por Bruna Silva
Jornalista da Quero Educação.