A maior oferta de modalidades para financiamento de um curso promoveu a diversificação do perfil universitário.

A palavra “democratização” circula constantemente em conjunto com o desenvolvimento e ampliação do sistema de ensino universitário brasileiro nas últimas duas décadas. O termo, que inclusive fez parte do tema do ENEM 2019, tem como um dos seus significados “tornar algo popular e acessível”.

A Educação é um direito garantido pela Constituição Brasileira de 1988 a todos os cidadãos. Desde então, é um desafio e um grande projeto que a democratização do ensino, seja básico ou superior, alcance o maior número de brasileiros possíveis, diminuindo nossos índices de desigualdade.

Algumas ações, de iniciativa própria das Instituições de Ensino Superior ou organizadas em conjunto com o Governo Federal, possibilitaram a pluralização e a diversificação do perfil do aluno ingressante. O sonho do diploma universitário se tornou mais próximo para muitas famílias brasileiras. Dados de 2019 do Censo da Educação Superior mostram que 45,6% dos alunos da rede particular contavam com algum programa de bolsa ou financiamento.

Equilibrar finanças, crescimento sustentável, qualidade de ensino e oportunidade maior de acesso à educação é uma equação possível e é por isso que muitos gestores estão apostando nas bolsas de estudo como uma estratégia para atender às demandas do mercado.

O perfil do novo universitário brasileiro

Uma pesquisa realizada em 2017 pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) apontou que 70% dos jovens que terminaram o Ensino Médio não foram para a faculdade por dificuldades financeiras. A realidade familiar de muitos impede que haja espaço no orçamento para arcar com mensalidades.

O Mapa do Ensino Superior no Brasil 2020 mostrou também que, dentre os alunos de universidades particulares, 61,8% deles já trabalham. O impacto de gastos da vida adulta e universitária na renda faz com que grande parte precise levar essa jornada dupla ao longo de todo o curso.

Outros dados do mesmo estudo mostram que o percentual de pessoas pardas aumentou de 27% para 34% nas universidades particulares, enquanto a porcentagem mais recente de estudantes pretos é de 7,9%. No recorte de gênero, 57% das pessoas matriculadas são do sexo feminino. E é importante lembrar que há um grupo de mulheres que são mães, caracterizando uma jornada tripla (trabalho+universidade+maternidade) para as mesmas.

Portanto, para este novo universitário, é importante economizar, mas sem deixar de lado a qualidade. Na captação de alunos, a conquista por esse perfil de aluno é concretizada quando a faculdade mostra que é possível realizar o sonho de se graduar em um curso superior sem ter que passar por dificuldades financeiras e endividamentos.

A seguir, elencamos alguns programas, oportunidades e serviços que foram importantes para a diversificação do perfil universitário nos últimos anos e como eles ainda podem se aplicar na realidade da sua IES.

Fies: ascensão e declínio

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) foi criado, abrindo um importante espaço para a democratização do Ensino Superior no Brasil. O projeto teve suas verbas ampliadas no governo Lula (2003-2012), mas, na última década, passou por reformulações e cortes.

As mudanças substanciais no funcionamento e aprovação de novos alunos Fies fizeram com que as matrículas por esse sistema despencassem e a imagem de programa consolidado derretesse. Somado à crise financeira de 2015, cujos efeitos se agravaram e ainda sofremos agora em 2020, o resultado foi desastroso. IES menores viram sua captação de alunos via Fies diminuírem até 70%.

Infelizmente, o FIES se tornou uma opção mais difícil para a captação de alunos com renda menor. A fama do programa entre os alunos egressos, que acabavam endividados após a conclusão do curso, também não ajudou. Aos gestores foi necessário, então, buscar outras formas de atrair novos públicos.

 

Do modelo financiamento para as bolsas – surge o Prouni

Em 2005, de forma paralela ao Fies, o governo brasileiro lançou um novo programa de inclusão no ensino superior privado, buscando aumentar a diversidade do público ingressante e também oferecendo uma fórmula que agradou muitas IES. Era criado o Programa Universidade para Todos (Prouni), oferecendo bolsas de estudo parciais (50%) e integrais.

O Prouni oferece às universidades a oportunidade de isenção fiscal de alguns tributos em troca do oferecimento das bolsas de estudo para alunos oriundos de escola pública ou que tenham estudado em escola particular com bolsas de estudos (alunos com deficiência seguem outras regras). 

 

As instituições de ensino não podem mais apostar todas as suas fichas no Prouni

O teto de renda do programa, para as bolsas parciais, é de até 3 salários mínimos por pessoa da família. No caso das bolsas parciais, o valor máximo cai para 1,5 salário mínimo. Isso significa que o candidato precisa, ainda, ter tirado no mínimo 450 pontos na média do ENEM e não ter zerado a redação. Com sua nota, ele irá concorrer com outros interessados na vaga.

Apesar de sua grandiosidade, as instituições de ensino não podem mais apostar todas as suas fichas no Prouni. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a porcentagem de bolsas integrais oferecidas pelo Prouni caiu de 62% em 2015 para 45% em 2019. Atualmente, são discutidas propostas de mudanças na legislação de impostos que podem inviabilizar o programa.

 

Defina o quanto você deseja captar

Modelos próprios e parcerias surgem como soluções

Para não depender tanto das regras engessadas da legislação e da instabilidade provocada pela troca de governos e suas políticas, as Instituições de Ensino precisaram buscar formas próprias de atrair alunos com boas oportunidades de financiamento e manter as contas no azul.

Um dos exemplos mais famosos foi o do grupo Kroton, que criou um programa de parcelamento estudantil privado. Estácio de Sá e Cruzeiro do Sul são outras faculdades que também utilizaram do seu tamanho e capacidade de investimento para criar programas diferenciados.

 

Estratégias como tecnologia e marketing digital

Para quem quer continuar apostando na atração de novas matrículas, uma estratégia essencial é ficar atualizado sobre as funcionalidades que a tecnologia e o marketing digital trouxeram para a realidade das IES.

A plataforma de marketplace educacional Quero Bolsa surgiu como uma parceira de negócios, ou seja, oferecendo soluções que já ajudaram milhares de instituições a alavancarem seus números. Pois não basta apenas oferecer bolsas, é preciso ter uma plataforma eficaz e uma vitrine reconhecida, que aumente a visibilidade da sua estratégia de captação com segurança, planejamento, suporte e eficiência.

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Flávio Rabelo
por Flávio Rabelo