Descubra o que é e entenda o contexto da inclusão digital no Brasil

Desde que, em detrimento da pandemia, instaurada no início do mês de março no Brasil, o ensino precisou ser adaptado para o âmbito digital, muito tem se falado a respeito da inclusão. Afinal, os estudantes mais carentes e residentes em regiões distantes e que possuem pouca ou nenhuma condição de acesso a Internet, tem sofrido com a exclusão digital e, por consequência, com a falta de acesso à educação.

Somente no Brasil, 4,8 milhões de crianças e adolescentes, na faixa de 9 a 17 anos, segundo dados apontados pela Agência Brasil, não possuem acesso à internet em casa. Eles correspondem a 17% de todos os brasileiros nessa faixa etária e evidenciam um cenário desanimador para a sociedade brasileira.

O grande desafio das instituições de ensino privadas, portanto, é conter a evasão destes estudantes e atrair novos, por meio de estratégias que possibilitem a inclusão digital aos grupos mais carentes. O objetivo deste artigo, então, será discutir meios de auxiliar os seus estudantes e também a sua instituição a tornar possível a democratização do ensino. Continue a leitura.

Mas afinal, o que é inclusão digital?

O conceito de inclusão digital é o processo de democratização do acesso às tecnologias da informação, de modo a permitir a inserção de todos na sociedade da informação, o que também representa uma forma de simplificar a rotina diária, maximizar o tempo e as suas potencialidades.

Um incluído digitalmente não é aquele que apenas utiliza essa nova linguagem, que é o mundo digital, para trocar e-mails, mas aquele que utiliza deste suporte para melhorar as suas condições de vida, a fim de buscar novas oportunidades de emprego, meios de comunicação e formas de obter aprendizado.

Para que a inclusão digital ocorra, no entanto, são necessários três instrumentos básicos: dispositivo para conexão, acesso à rede e o domínio dessas ferramentas, pois o indivíduo precisa, além de tudo, saber o que fazer com tais ferramentas.

A importância da inclusão digital

O acesso às tecnologias da informação e da comunicação está diretamente relacionado aos direitos básicos à informação e à liberdade de opinião e expressão. A exclusão digital é uma das muitas formas de manifestação da exclusão social. Não é um fenômeno isolado ou que possa ser compreendido separadamente, pois se trata de mais uma conseqüência das diferenças já existentes na distribuição de poder e de renda.

Para o setor da educação, a inclusão digital faz-se ainda mais necessária pois possibilita o acesso ao conhecimento de modo amplo para todas as faixas etárias e classes sociais, o que influencia diretamente na qualidade de vida dos cidadãos e na evolução da sociedade como um todo.

O impacto da pandemia na inclusão digital

Atualmente, mais de 70% dos brasileiros são usuários da internet e mais de 85% da população vive a poucos quilômetros de uma torre de celular, que pode oferecer o serviço da internet. No entanto, num país que possui 26 estados, obviamente, o cenário não é o mesmo para todos.

Em pesquisas realizadas pela Quero Educação, por exemplo, pudemos ver que não só 39% dos estudantes da rede pública não possuem Internet, como 21% dos estudantes só tem acesso pelo celular e 33,5% dos inscritos no Enem nos últimos 5 anos alegaram não ter acesso nenhum. Em suma, estes dados contam uma história de exclusão, desafio e até mesmo, abandono.

É por isso que grandes instituições de ensino como a própria Estácio de Sá, iniciaram os seus movimentos e ações estratégicas para lidar com a exclusão digital e garantir a retenção dos seus estudantes, mesmo em meio a pandemia.

“Nosso foco é garantir a continuidade acadêmica, facilitando a vida do aluno presencial na adaptação para o novo modelo, e também a saúde e o bem-estar dos alunos, professores e colaboradores. Essa é uma situação excepcional e de transição até que tenhamos retorno das aulas presenciais.”, explica o vice-presidente de Operações Presenciais da Estácio, Adriano Pistore.

A Estácio de Sá que, desde o meio do mês de março, passou a oferecer aulas ao vivo para pelo menos 300 mil estudantes, tem firmado parcerias que possibilitem a inclusão e continuidade do estudo dos estudantes. As medidas da companhia incluíram a parceria com grandes operadoras do setor de internet, como a VIVO, que já estão concedendo vantagens aos alunos da instituição durante a pandemia e com a Magalu, uma das maiores lojas de departamento no Brasil, que ampliou a já tradicional parceria com a Estácio também para os itens da categoria de Informática, por meio do Clube do Aluno: www.estacio.br/clubedoaluno.

“Acreditamos que o papel da universidade vai além da manutenção das aulas. Queremos facilitar ao máximo a vida dos nossos alunos, sabemos das grandes dificuldades enfrentadas diariamente por eles e vamos ajudá-los a passar por este período e conquistar o sonho do ensino superior”, afirma Cláudia Romano, vice-presidente de Relações Institucionais, Sustentabilidade e Comunicação da Estácio.

Como inserir a inclusão digital no planejamento estratégico da sua instituição

Embora o conceito de inclusão digital seja trabalhado já há algum tempo, são poucas as instituições de ensino que, de fato, colocam em prática e se preocupam verdadeiramente com o tema na hora de planejar o próximo semestre de aulas. Existem, portanto, algumas soluções que vêm sendo aplicadas para democratizar o acesso ao ensino para todos os estudantes, são elas:

1 – Parceria com operadoras de telefonia móvel: nem sempre este modelo de parceria funciona, uma vez que deve-se pensar em negociar valores, de modo a não prejudicar o planejamento financeiro do estudante carente. Ainda assim, entrar em contato e buscar soluções que sejam econômicas para a instituição e para o estudante será um meio de disponibilizar o acesso a internet para que o aluno possa dar andamento nos seus estudos, mesmo estando fora do campus.

2 – Empréstimo de computadores e dispositivos de hardware para os estudantes mais necessitados: outro meio de prover o acesso ao ensino é, por meio de processos bem definidos e monitorados, disponibilizar e emprestar equipamentos de informática para aqueles que não podem adquiri-los por conta própria. O modelo de empréstimo deve ser definido pela própria instituição, de modo a garantir o retorno dos equipamentos, tão logo seja necessário.

Internet pela educação: um movimento Quero

O modelo de ensino superior a distância deixou em evidência, mediante a crise, uma parcela de estudantes que, sem escolhas, precisaram superar as dificuldades da inclusão digital. Ainda assim, a pandemia acabou por excluir milhares de pessoas do ensino e tornou, de certa forma, o conhecimento inacessível.

Pensando em uma forma de lidar com isso, a Quero Educação, com o apoio da Invoz (organização sem fins lucrativos para o desenvolvimento da educação, cultura e empreendedorismo do Instituto Semear) iniciou o manifesto “Internet pela Educação” que tem como objetivo coletar assinaturas de milhões de estudantes para, de modo democrático, quebrar as barreiras digitais de ensino.

Pois, quando a pandemia pelo novo coronavírus passar, a necessidade do uso da internet para estudar será ainda mais intensa e a sociedade não deve se manter imóvel diante da falta de acesso.

O manifesto é um documento que explica de forma simples o problema e propõe formas de eliminar obstáculos.

Sabendo que a quantidade de estudantes sem conexão a internet adequada representa um percentual pequeno do total de clientes com contratos de dados ativos nas empresas provedoras de internet e que a quantidade de dados que trafegam na rede com conteúdos educacionais é ínfimo perto de todo o fluxo de dados em circulação pela web, acreditamos que o fluxo livre desses dados não devem impactar a infraestrutura da rede e nem afetar economicamente as empresas.

Afinal, se as operadoras disponibilizam acesso ilimitado de internet aos aplicativos de mensagens de texto, redes sociais, trânsito e música, porque não estender o recurso para a educação? Este será o grande objetivo do manifesto.

De forma geral, investir em soluções que viabilizem a inclusão digital é uma missão para todos.

Adminlin
por Adminlin